Os Muros Intransponíveis da Escola

Continuando a publicar o material do fórum da UNESA, do meu curso de Pedagogia, sobre as experiências educativas fora da escola como material para a ressignificação da prática docente. Isso é possível?

Acredito que a experiência fora da escola só terá significado para a prática docente quando este espaço externo realmente tiver significado DENTRO do espaço escolar. Acho engraçado falarmos tanto de Paulo Freire (alguém que tive o prazer de conhecer pessoalmente) e deixar seu legado resumido ao construtivismo e alguma coisa de educação popular. Ele disse tudo isso o tempo todo: o tempo errado das crianças, a escola fora da escola… Trabalho com EJA e sei o quanto a ligação com o exterior tem significado no aprendizado dos meus alunos: contextualizar totalmente meu conteúdo (Biologia) torna minha prática pedagógica um pouco mais eficiente. Mostrar sempre a relação do conteúdo com a realidade que meu aluno vive é algo que faz parte do meu planejamento. Por outro lado, trabalho, em outra matrícula, no Laboratório de Informática da escola e vejo, com muita inveja, meus parceiros do nordeste conseguindo muito mais eficiência nos projetos do que aqui. As pessoas morrem de medo da palavra PROJETO. Vivo debatendo, na escola, na faculdade e aqui os aspectos filosóficos e sociológicos da escola e da sociedade no que diz respeito à organização dos seus grupos. Deixei de ser a “ecochata” para ser a “pedachata” porque passo o tempo todo cutucando as pessoas para se descolarem da sua zona de conforto. Fui fazer pedagogia para isso, precisava entender de onde vem tantos erros recorrentes, tantos discursos vazios e tanto medo do novo. Já reparou como as coisas acontecem melhor no interior do País? Acho que lá a rotina massacra menos a gente e temos mais tempo pra pensar. Por isso tenho pensado seriamente em sair de Niterói para lecionar em Japeri, onde moram meus pais e onde praticamente fui criada: IDH baixo (o menor do estado), cidade dormitório mas com escolas cheias porque as crianças precisam receber o Bolsa-família e os cursos de EJA lotados porque todos querem ir para a  Universidade ou, na pior das hipóteses, ter escolaridade para fazer um concurso público. Uma experiência que me fascinou muito e que estou gestando como projeto para Japeri é o que fizeram na Índia:  “O Buraco no Muro” , conhecem? Assistam ao vídeo, clicando no título. Meu sonho é ter vários “buracos”como esse no muro da minha casa. Meus pais  e meus cães iam ficar loucos mas seria maravilhoso!

Sigamos discutindo… abraços

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A escola precisa de escola?

Precisamos de uma escola para recebermos educação e aprendermos de fato? Assista ao vídeo “Ser ou Não Ser/ Educação – parte 3″ e veja como é possível uma educação de qualidade sem nenhuma inauguração de prédio-elefante-branco!

http://www.youtube.com/watch?v=1qwI6qiC7gE&feature=related

A educação começa logo após o nascimento: aprendemos a sugar o leite, a identificar o cheiro da mãe, a chorar por atenção, a andar e a balbuciar as primeiras palavras através de um processo educativo: olhamos e fazemos igual. Da mesma forma aprendemos noções básicas de cidadania, não jogando lixo em locais incorretos ou cedendo o lugar a um idoso na condução por educação – fora de uma escola. A leitura, tema chefe da reportagem também, como diz Rubem Alves, no vídeo,  é algo com o qual não se acostuma, se apaixona. Nossos jovens não gostam de ler porque a escola lhes impõe coisas fora da sua realidade, inapaixonáveis. Sou leitora contumaz e NÃO aprendi isso na escola – odiava os livros de lá. Vi meus pais e avós lendo com paixão e me predispus a esse amor pelos livros (lembre-se que para amar precisamos estar disponíveis para o amor). Para tudo isso não precisamos de escola nessa concepção genérica de espaço escolar burocrático. A escola, na minha opinião é apenas a sistematizadora dos saberes que o governo diz obrigatórios. E ainda os faz de maneira extremamente inadequada. Uma escola se faz onde uma pessoa sabe uma coisa e a outra quer aprender aquilo: o princípio da troca e colaboratividade. Destaco, como perspectiva pedagógica para análise, a interação do processo com seus autores: os meninos preparam seus materiais pedagógicos, dentro da sua perspectiva cultural, da sua história e, consequentemente, dos seus prazeres adquiridos. Isso tudo cria uma motivação fundamental na aprendizagem: o sentimento. O educador que defenda uma educação sem emoção, sem envolvimento, é um mentiroso. E a gente conhece muitos por aí. Você só ensina se quiser e o sujeito só aprende se entrar em sintonia com você. Para isso tem que haver envolvimento. Por isso, dá certo no Jequitinhonha. Por isso se criam professores inesquecíveis. Por isso todos os aprendizes são capazes. Com interação, parceria e envolvimento emocional.

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Liberdade`as ideias !

Dando continuidade às publicações, o vídeo “Ser ou Não Ser/Educação – parte 2″, mostra a escola grega, seu potencial acadêmico e como seu modelo é repetido na atualidade. qual a função da escola que valoriza apenas a academia tem para o mundo moderno? A escola do povo tem algo do modelo grego? o que seria um modelo de escola moderna que atenda às necessidades da atualidade: a formação para a vida, não somente para o mercado de trabalho que mesmo esse faz uma exigência urgente ao trabalhador qualificado: capacidade de liderança, empreendedorismo, dinamismo. Tudo isso só é possível quando o jovem recebe uma formação que os assegura o protagonismo no processo. Coisa que a escola, via de regra, não faz.

http://www.youtube.com/watch?v=9Wa_HQvoAi0&feature=related

A diferença básica entre a escola moderna atual é a escola grega é o tempo, somente, na minha opinião. A escola grega atendia apenas aos ricos e livres e a escola moderna atende apenas aos ricos e livres da exclusão social brasileira. A escola que existe hoje para o povo não tem nada de moderna, nem de escola tem, visto que nem a forte vinculação com as artes e ciências existe. Isso ainda aparece na escola moderna das elites (a dos ricos e livres), mas é tão massificador quanto a escola grega. Não vejo nada de interessante em formação baseada exclusivamente no suporte acadêmico.

Uma escola moderna é aquela que privilegia a formação integral e o protagonismo com liberdade. Isso não acontecia na escola grega onde a imposição da cátedra determinava o andamento da formação. O mundo moderno exige rápidas e constantes mudanças, o que é muito incômodo para uma população não acostumada a viver em transformação (não confunda com as transformações dos grupos menores, que ocorre o tempo todo no Brasil e nos confere uma dadaptabilidade incrível para a sobrevivência). Não entendemos, professores, alunos, dirigentes, pedagogos, governantes, que o que dissemos ontem pode não ter nenhum efeito hoje e teremos que pensar tudo de novo para recomeçar um processo. Sair da zona de conforto é trágico demais, daí a repetição eterna dos modelos falidos.

Observando o vídeo e minhas experiências pessoais no Software Livre Educacional, observo o quanto o Nordeste desempenha um papel inovador na tentativa de mudar esse caos educacional. A escola modelo de Pernambuco, apresentada no vídeo, o pessoal de Fortaleza trabalhando com Informática Educativa (visitem http://sleducacional.org e vejam) nos mostra o quanto o sudeste sucumbe ao marasmo da rotina e da zona de conforto… fico com vergonha. Sucumbimos à anestesia, somos incapazes, como Cristovam Buarque diz de “nos deslumbrarmos ou indignarmos com a realidade”, como poderemos levar nossos jovens a esse deslumbramento se nós, educadores somos os mais anestesiados????

Observo falas no vídeo como “é preciso romper paradigmas” e “focar o jovem como a solução e não o problema” e percebo que o que ele simplesmente quis dizer é “arregacem as mangas, saiam da cadeira e libertem suas ideias!”

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Você que faz parte dessa massa… e sonha com projetos para o futuro… mas a vida é de gado!

Decidi publicar aqui a série de participações nos fóruns do meu curso em Pedagogia na UNESA (EAD) para fazer a discussão que por motivos técnicos e pessoais, não pude fazer lá. A ideia é após assistir ao vídeo “Ser ou Não Ser /Educação – parte 1, destacando a citação de Edgard Morin e fazendo uma reflexão sobre nós, o povo, a cidade e a educação.

http://www.youtube.com/watch?v=eJZ7OBZsbcc&feature=related

Nossa escola não lida com pessoas, com indivíduos. Ela trabalha com uma massa de alunos. A escola não está montada para desenvolver as capacidades de cada um. Apenas ensina conteúdos isolados, separados uns dos outros, e sem relação com a vida, acumulando informações que se empilham sem sentido”. (Edgar Morin).

Como atender individualmente uma classe com 40, 50 alunos, fragmentada em disciplinas, ou em uma escola escola que possui metas baseadas em índices numéricos? Morin está certíssimo! A mesma escola desde a Revolução Industrial, enquanto mundo já abandonou faz tempo o motor a vapor! Na era da hiperinformação, do altamente mutável – nada mais é uma certeza, a professora faz coro com a Regra da Hipotenusa!

Os governos falam nos índices e acreditam que jogando equipamentos em prédios novos, o problema estará solucionado mas como diz a professora no vídeo de referência: “O prédio não transmite conhecimento”. A educação que hoje forma nosso cidadão é aquela das ruas, do bairro, do baile, da violência, da carestia, da falta de saúde e do excesso de esmolas governamentais, não a educação escolar que, se já não formava no passado como deveria, hoje nem se fala!

O cidadão se educa no cotidiano das famílias fragmentadas, violentadas pela falta de tudo e pelo excesso de informação errada, da cultura estrangeira que mudou até nossa forma de comer. Não precisa-se de escola para ganhar milhões jogando futebol ou ser deputado federal e TODA a população sabe disso. Escola pra quê?

Assisti recentemente uma palestra do Professor Vasco Moretto em que ele descreve brilhantemente a estrutura individualista que impera na sociedade hoje – em todas as esferas. Ele disse: “todos tem um pensamento coletivo instalado em si, tem noção de coletividade. Mas o que falta então para o cidadão de fato se comportar como parte desse coletivo nas questões mais simples: lixo, respeito, honestidade? Falta a noção de comunidade.” (adaptado por mim) Essa sim, não é parte do cidadão. O que é comum a todos é o que é comum a mim, indivíduo e eu atuo ativamente. Há uma confusão entre termos coletivo e comunitário são coisas distintas. Ou você acha que não são?

Se a escola minimamente ainda formasse para o mercado de trabalho, já seria um lucro: que trabalhador é esse que escreve mas não entende o que lê? Então, a escola não ensina NADA. Quem ensina é a vida.

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Violência, Educação e Software Livre

Pois é amigos, completando hoje uma semana de estado de sítio na cidade do Rio de Janeiro e Região Metropolitana, confesso que, por mais que tenha a consciência do poder da mídia em fazer a transformação direcionada de eventos, estou com medo. Esse medo é como uma epidemia de gripe, pois basta estar próximo de alguém contaminado que pegamos a “coisa”.

Minha realidade é próxima do crime, pois trabalho em uma escola que fica entre 3 comunidades (me recuso a usar o termo favela – se tornou depreciativo demais) e ela também fica em frente a um campo de futebol e uma praça decadentes, onde posso observar da janela da minha sala, o entra e sai de pessoas deste local – uma “Praça de Alimentação” das drogas. Nela vejo coisas incríveis: meus alunos, moradores dessas comunidades, não são os maiores frequentadores desse local. Predominam ali os cidadãos do asfalto, moradores e trabalhadores da localidade, pessoas que pagam suas contas de luz e água mas guardam um pouquinho pra fumar um baseado ou comprar pó para “abrilhantar” o final de semana. São pessoas do mesmo naipe das que agora estão em casa, amedrontadas pelo terror espalhado pelo tráfico. Eis o primeiro e mais importante paradoxo! Já dizia o autor de Elite da Tropa: “esse mesmo mauricinho que veste branco e pede pela Paz sustenta o tráfico, comprando drogas para a sua diversão” (palavras minhas). O crime é sustentado pela elite mas quem paga a conta é a sociedade pobre e trabalhadora, cuja família é sustentada no esteio de rígidos padrões morais e éticos. Essa elite está em todas as esferas da sociedade; inclusive na própria polícia e governo. Dessa forma, vemos justificado o desabafo da mãe no jornal, feliz com a invasão da Vila Cruzeiro: “Que meu filho possa ir à escola e dizer a todos que o pai dele é policial!” Sim mãe! Quero ter o mesmo orgulho em dizer que esse homem é servidor estadual como eu, que o meu governo age corretamente, que a educação funciona! Porque se a vergonha da farda (assim como a vergonha da minha categoria) existe é porque esse estigma foi gestado nela mesma, com a corrupção e o encosto na burocracia do Estado como justificativa ao mau trabalho profissional, com policiais corruptos e miliciados e professores paralisados. Tais profissionais mancham as categorias, formadas por homens e mulheres bravos, vocacionados, que tiram leite de pedra para sobreviver com dignidade. O professor ainda leva uma vantagem nisso tudo: muitos empregos comprometem a qualidade do trabalho, mas não matam ninguém diretamente. Coisa que não ocorre quando um policial precisa, para complementar o salário, dos bicos em segurança particular. Isso sim compromete a prática policial. Como sonho com aquele dia em que meu salário me permitirá ser exclusivamente funcionária do Governo e me dedicar profissionalmente somente a ele! Desejo isso para a companheirada da polícia também.

Vemos agora a polícia num processo de recuperação da sua posição na sociedade: para isso realmente a mídia funciona. Mas espero que ela própria mantenha a sua recuperação, num contínuo expurgo da sua banda podre, pedaço contribuinte na manutenção do crime organizado. Da mesma forma que espero, com meu trabalho argumentativo e denunciatório, elevar o pensamento da classe docente ao questionamento real da sua práxis, para a mudança real de paradigmas na educação, começando pela recuperação do cotidiano ético e moral da pessoa professor. Que ele deixe de achar normal a pirataria de filmes, programas e discos, porque quem comete esse tipo de crime não deve ser cotado como bom defensor da Paz. Estão na mesma situação aqueles colegas que fazem uso recreativo de drogas e que não vêem “nenhum mal nisso pois não sou viciado, não perturbo ninguém”. Seja honesto, ético e principiado em TODOS os momentos da sua vida! Menos pessimista que Luiz Eduardo Soares, acredito que as coisas podem mudar a partir de agora, porque a sociedade VAI cobrar!

Bem, e o que isso tem a ver com Software Livre? Tudo. É na escola que a criança fundamenta (muitas vezes cria) seus princípios morais e éticos. E é na escola que o Software Livre tem espaço no Estado do Rio de Janeiro. Então é lá que se inicia o processo: ele precisa saber porque usa o software livre na escola e pode levar o software livre para a sua casa, sua vida cotidiana. Basta entender o fundamento da sua existência: a liberdade (também financeira) e a colaboração. Precisa saber que, da mesma forma que não precisa estar subjugado ao crime organizado, não precisa estar subjugado à janela. Porque existem opções de escolha. O Pinguim está aí para nos mostrar isso.

Se o meu aluno cresce com a liberdade de escolha e pensamento fundamentado na ética e na legalidade nunca se subjugará, nem por necessidade financeira, ao crime, se tornando um bandido. Nem aceitará propina ou arrego, nem se envolverá em milícias, quando se tornar um Policial Militar.

Que estejamos todos neste momento protegidos pelas Forças Universais da Luz e da Sabedoria e que o processo não pare quando a última comunidade for pacificada.

Sigamos discutindo,

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O brilhante e inusitado encontro entre Criador e Criaturas:

Nos dias 10, 11 e 12 de novembro o SLEducacional e seus membros, educadores de todo Brasil e a França, representada por Bruno Coudoin viveram os mais incríveis momentos de troca, com muita profusão de ideias, trabalhos e emoções no Latinoware 2010.

O criador do GCompris, em sua primeira visita ao Brasil, não tinha a dimensão do que acontecia aqui em Software Livre Educacional e da paixão que os Mestres dedicam a essa causa. Aliás, nas palavras do próprio Coudoin: “Uma paixão Brasileira pela Tecnologia Educacional”

Tivemos intensos 3 dias de trocas: o criador Coudoin e Frederico, a criatura – o tradutor do Gcompris para o português do Brasil. Momentos de muita alegria para os companheiros de colaboração de tanto tempo. Quem estava no hands on de quinta-feira à tarde pode perceber claramente isso. Eu particularmente não pude conter as lágrimas quando vi projetado o nome do grupo no código-fonte da atividade que Coudoin oficialmente criou no Latinoware – Itaipu. É o resultado de um imenso esforço, de muitos anos e de uma paixão imensa pela causa, do nosso capitão Frederico Gonçalves Guimarães.

Continuando a contar a história a partir do fim, a Luciana Xavier de Campos, que também dividiu comigo esta emoção, abriu os trabalhos de quinta à tarde com a sua palestra, onde mostrou como o SL Educacional pode contribuir para o letramento e autoria de crianças, acelerando os processos de apropriação das competências da escrita pelas crianças. Foi o Ceará fechando a grade de palestras do SL Educacional com maestria. Me sinto mesmo muito orgulhosa de poder aprender com essas pessoas tão competentes. Mas ainda tem mais: nesse mesmo dia Jenny Horta mostrou pela manhã, na prática como podemos trabalhar com SL e mudar as mentalidades na sua experiência “O Pinguim vai à escola”. Ela mostrou que até na Rede Privada é difícil trabalhar com SL Educacional no RJ, mas é possível. Parabéns minha conterrânea e vizinha!!!!!

Depois, ainda na parte da manhã, outro exemplo da Maestria cearense na utilização de SL Educacional: Liduína Vidal de Almeida e a sua insuperável competência com o Tux Paint. Lidu, você vai ter distribuir esse conhecimento por todo o Brasil e vamos lutar muito para que isso aconteça porque, em matéria de Tux Paint na educação, o nome é LIDU!!!!!! É realmente o Fred tinha razão: vocês fazem miséria com o SL no Ceará!!!! Parabéns!

Quarta-feira, Marinez Silveris fechou com chave de ouro a fala feita por mim, mostrando a todos como uma coordenação de NTE comprometida com o projeto faz acontecer. Ela prova a todos nós que minha indignação com o que acontece no RJ não é infundada: é possível produzir em SL uma educação de qualidade e prazerosa para o mestre e os alunos. É possível ser feliz na educação pública sim!!!!! Antes dela, Frederico Gonçalves Guimarães – o maior articulador que já conheci – fala sobre o SL Educacional físico e filosófico e arregimenta mais colaboradores para a causa que fervilha agora: ampliar os horizonte e o trabalho! Um dos arregimentados, o Professor Fábio Caliari, da UFSC e seu belo trabalho num projeto de Inclusão Digital: a força da academia, da técnica, ao nosso lado! Aproveito o gancho para apresentar a Professora Maria Teresa Quintas Marinho, minha amiga pessoal de alguns anos que, descida de paraquedas, abraçou com todo o seu intusiasmo o pinguim e é a mais nova niteroiense no SL Educacional. Mais uma pedagoga, com vasta experiência em projetos e da academia ao nosso lado! Valeu Tê!

Nesse mesmo dia, Glenilce de Sousa (do Ceará, é claro!) nos mostrou sua enorme competência na preparação de aulas com o uso do Impress e Kolourpaint, num belíssimo trabalho, mega atrativo para as crianças, com gifs animados. Preciso estar mais tempo com essas meninas maravilhosas do Ceará para beber dessa sabedoria ímpar. Virão aí mais férias de trabalho!

E graças a uma incrível organização da grade, todas essas belezas vieram antes da minha fala, cheia de amargura e denúncias, de uma profissional atada pela burocracia e desarticulação da Rede Estadual do RJ. Como alguém tem que fazer o trabalho de botar a boca no trombone, polemizar e discutir, aproveito a falta de oportunidades no RJ em produção de atividades inclusivas em SLEducacional (que é temporário, diga-se de passagem, porque paralelo ao trombone acontece muita conscientização através de discussões e capacitações na minha escola) e abro os trabalhos do SLEducacional no Latinoware chamando a todos para parar e pensar nos para quês e porquês do SL na educação.

Ainda sob impacto da emoção do encontro com os que ainda não conhecia (quase todos), parabenizo Frederico e sua incansável disposição para fazer acontecer em SL e que, com seu trabalho insistente, reuniu esse grupo espetacular, que fez nascer o SLEducacional. Parabéns a Luciana, Liduína e Glenilce por suas maravilhosas competências em fazer da sala de aula uma espaço de aprendizagem verdadeiramente prazeroso, a Jenny, pela sua imensa força e disposição para que o pinguim esteja na escola, a Marinez pela sua incrível competência na coordenação de seu NTE e a Teresa Quintas por todo apoio que imediatamente deu ao grupo, ao se identificar com a causa. Ao Fábio Caliari, pelo interesse em articular com a escola para o crescimento dos seus projetos e finalmente ao nosso grande Bruno Coudoin (uma honra passar esses dias em sua companhia) que, com sua simplicidade e competência, abrilhantou a reunião do nosso grupo. Gostaria de dizer que nos sentimos completos mas não dá porque ainda falta você, professor! Junte-se a nós!

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O Dia do Professor

Como sempre, temos a eleição de uma data onde todos se parabenizam… apenas. Nada acontece. Estamos cansados de ouvir o quanto vocacional é a nossa carreira, o quanto somos importantes mas somos sempre tratados como lixo. Isso mesmo: LIXO! A começar pelo novo Secretário de Educação do Governo do Estado do RJ, que chamou os professores de “Entregadores do Saber” e disse que pensa na “educação como negócio e quer saber se o seu produto é bom”. Ora, Senhor Risolia, quer saber se o seu produto é bom? No comércio, sabemos quando nosso produto é bom quando consultamos a clientela, quando estudamos nosso mercado potencial. Os governos, assim como as direções privadas em geral, tem focado a transformação do empregado mas esquece da clientela e, quando lembra dela, pergunta a quem paga, e não a quem usa. Pergunte ao nosso jovem para quê serve a escola? Qual a utilidade do conhecimento escolar para ele? Quer saber a resposta? Converse conosco. E descubra quantos malabarismos, novas técnicas e estratégias andam sendo usadas sem sucesso porque o problema não é o professor ou a escola: é a família e a sociedade. É a corrupção dos valores, como vemos na demissão dos pais como exemplos para seus filhos, como a sociedade desmerece e desonra o educador quando elege como deputado mais votado um analfabeto. Descobrimos, secretários, diretores e outros profissionais da gestão educacional, nós professores da Rede Pública, que a única “ilha” de valores familiares como respeito aos mais velhos e aos Mestres que eram tão comuns para nós, um pouquinho mais velhos, reside na contramão da sociedade: no crime. Os termos “família e mãe é sagrada” e “professor tem que ser respeitado” são valores praticados apenas nas cadeias e nos guetos do crime. Nós vemos isso. Porque nós estamos lá. Porque é nosso o trabalho duro, de resistir todo dia ao assistencialismo invadindo a educação quando o meu aluno pergunta se não tem um “jeitinho”, um “trabalhinho” para aquele faltoso, que nem sabe meu nome, que me pergunta, em outubro: “Você é professora de quê mesmo?” Ver meus anos de estudo e minhas horas de dedicação semanal ao desenvolvimento do melhor do meu trabalho sendo vilipendiado pela mediocridade que se espalha como uma epidemia pela sociedade brasileira, a sociedade desigual que mostrou ao querido Geraldo Vandré como ele é inútil num País onde a “arte é coisa para vagabundo” e que seu título de advogado nada serve num “País sem lei”. Me sinto como ele em muitas classes que entro: inútil. Na selvageria imposta pelo negócio, onde a razão sobrepõe a emoção como condição de sucesso, onde vai se encaixar a “amorevolezza” de Dom Bosco ou o sentimento como condição de aprendizagem, de envolvimento no processo, defendidos por Freire? Alguém pode me responder? Sem parabéns pelo meu dia, por favor.

Em tempo: sou apaixonada por motociclismo. Os grupos de motociclistas defendem sempre o respeito às regras e leis do trânsito e costumamos diferenciar os motociclistas (que vivemos em sociedade dentro das normas legais e de respeito ao próximo) dos motoqueiros (que desrespeitam o tempo todo as leis de trânsito e a si mesmo – entregadores de pizza, por exemplo). Senhor Risolia, aprenda: sou uma motociclista da educação, ensino saber pelo meu exemplo, respeito as leis e digo todo dia a todos os meus alunos que isso é muito importante! E só conheço gente assim na minha profissão, NUNCA convivi com “motoqueiros da educação”

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Eu, leiga em software livre…

Amo software livre quero usá-lo! Luto há anos por isso porque acredito na sua filosofia e objetivo. Mas sofro muito para chegar lá. Todo mundo em software livre fala que é fácil, que tem documentação para tudo: e é verdade. O problema é que essa documentação não é para leigos. Seu formato é técnico, um cara falando pra outro que conhece o assunto. Não tem didática, não tem aspecto tutorial. Todos os meus avanços nesse mundo livre aconteceram ou porque escolhi uma distro que fazia tudo pra mim ou porque pude contar com alguém para me acessorar diretamente (como o Frederico na minha migração para o Debian).

Infelizmente, o software livre não dá suporte a leigos. A ideia de difundi-lo neste grupo é fundamental para o crescimento do seu uso, mas urge mudar o rumo da construção desse movimento. Existem páginas aos milhares com TODA a documentação disponível para o usuário… não leigo. O usuário leigo não conhece a funcionalidade do terminal, não conhece os comandos e mesmo que eles estejam lá, disponíveis para copiar e colar no terminal, pensem o seguinte: ninguém aprende algo que não sabe como funciona! Terminal pra quê, comando pra quê, você é root para, você se torna root quando, isso é mostrado pra você quando aparece o símbolo… e por aí vai.

Confesso que já encontrei algumas coisinhas bem mastigadas: mas na sua maioria não eram feitas pela comunidade. Parecia coisa de cursinho de informática: didática zero.

Todo mundo fala em mudar a mentalidade: sair da individualidade e praticar a colaboração. Sim, é isso que deve ser feito. Mas de outra forma, diferente da que se vê hoje: só os pares trabalham colaborativamente. É muito difícil encontrar um cara com MUITA competência técnica disposto a formar alunos, a ensinar o que sabe muito para quem não sabe nada (sou professora e a palavra aluno tem um significado especial: iluminar, esse é o papel de quem ensina).

Ensinar é uma arte. Para a qual ainda temos poucos atrevidos. O mundo prefere ficar no senso comum (eu sei o que é e como fazer mas não sei explicar). Então eu convoco todas as mentes inteligentes, especialmente aquelas que militam pela liberdade na tecnologia: saiam do senso comum, acreditem que as inteligências são múltiplas e que nem todos chegam a um resultado pelo mesmo método. O desenvolvimento do raciocínio lógico não é igual em todo mundo. Vivemos um tempo em que a escola se adapta às diferentes necessidades do indivíduo. Por que o Software Livre não pode seguir o mesmo rumo? A construção colaborativa também passa pela premissa de “quem sabe mais ensina a quem sabe menos” e não apenas pelo “vamos fazer juntos”.

Vou continuar tentando entrar no mundo, sou insistente. Avanço a passos largos. Mas eu tenho apoio. E transmito adiante. Colaborativamente e em cadeia decrescente. É isso que deve ser feito senão nossos movimentos de expansão continuarão tendo cara de “coisa de nerd”, coisa de tribo. E SOFTWARE LIVRE É COISA DE TODO MUNDO!

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Incompreensível

Decifra-me ou te devoro! O leão de Oz ou a Mulher-Banana da Martha Medeiros são alguns personagem que ajudam na minha construção. Falante e tímida, com tendência ao platonismo, absurdamente auto-exigente (alguém me ajuda com a Reforma Ortográfica?) e uma imensa facilidade de trabalhar em grupo são minhas características. Meu gosto “extranho”e eclético por roupas e música também me identificam. Em tempo: minha paixão por caveiras tem uma explicação: é no esqueleto a única condição em que todos os seres humanos são iguais: do Papa a Osama, de Onassis ao Paparu!

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Filosofando e Cutucando

O software livre na educação não é algo somente recomendável: é fundamental em sua essência! Se partirmos do princípio constitucional de que a educação é um direito de todos, assim como o seu acesso a ela, não vejo outra forma de integrar educação e tecnologias na educação pública e de qualidade sem a utilização plena e irrestrita dos Softwares Livres.

Passamos, há mais de meio século, por uma crise na educação: entram e saem novos pedagogos, novas propostas e pouca coisa sai do campo experimental e passa a práxis. A chegada das novas tecnologias não trouxe muita diferença na maneira de ensinar não mudou muito o padrão: a tese da repetição e da educação bancária encontra-se de tal forma arraigada no professor que ele apenas “enfeita” a mão única de ensinar com slides e computadores. Vocês já assistiram “Tecnologia ou Metodologia?”?

Fácil adivinhar o que você pensou agora: Os responsáveis são os professores! Acertei, não é? Ora, não é momento de procurar culpados… deixem o professor quieto! É SUA a responsabilidade projetar a luz do conhecimento sobre todos. Aluno (de “sem luz”) não é só o cara que senta diante de você nas carteiras da escola! Na concepção ideológica, todos são mestres e todos “alunos”. Assim, dê alternativas de escolha ao seu colega: professor, amigo, vizinho, doutrinado pelo consumo e pela propriedade, incapaz de criar colaborativamente pois ainda carrega consigo a cadeira da Universidade (bem grudada você sabe onde!) ou o total desconhecimento do mundo livre. Divida com ele o seu prazer pelo aprender uma coisa nova, um software novo, o prazer da colaboração produtiva!

Recentemente um colega comentou no FISL11 sobre uma palestra em que outro, da área técnica, dizia que os professores “são muito velhos, não conseguem aprender” quando falava do “treinamento” para o uso das tecnologias educacionais. Um outro dizia que a criança “já nasce com a tecnologia no código genético”(este eu mesma ouvi). Tais informações são muito perigosas uma vez que rotulam uma espécie que, detentora da capacidade de raciocinar, é muito mais adaptável que outras às modificações do ambiente, por isso chegou a este patamar evolutivo. Responsabilizar a idade ou a genética chega parecer tolo aos olhos de qualquer pessoa que entenda minimamente de evolução. Aceitar a idade como impedimento ao processo de aprendizagem seria negar o sucesso descarado de todos os projetos de formação de Jovens e Adultos (eu mesma estou neste setor). Na falta de desculpas, ou por medo de colocar seu nome na baila quando criticar políticas públicas de educação e ainda por medo de dizer que não sabe sobre o assunto, erros crassos como estes vem sendo cometidos.

A educação transformadora e libertadora ultrapassa o brilhantismo de Paulo Freire, o mais humilde pedagogo que conheci (sim, tive a honra de conhecê-lo!). Ela transita pelos caminhos da ideologia, da política, assim como da moral ética. Apenas a partir da construção do indivíduo como ser político, ideológico e dono de valores éticos reais é que a educação será transformada. Para isso, não basta impor o SL como alternativa de liberdade ou exigir que o cara carregue suas compras em caixas de papelão: é necessário que ele “sinta” essa necessidade. Mas como fazê-lo sentir?

Filosofando, meu caro, filosofando. Filosofia não é para geeks e nerds, é para todos. O que falta é popularizar a filosofia, como fez brilhantemente Alexandre Oliva em sua palestra “Sexo, Drogas, Rock’n roll e Software Livre”, no FISL 11.

O cara que acusou nossos mestres de serem incapazes de aprender porque são velhos matou as aulas de filosofia na faculdade (de certa forma, até concordo, visto que a filosofia que eles ensinam lá é realmente chata!) e se protege do mundo real na Academia, zona de conforto de muita gente: “eu sei, você não sabe, então deixa que eu te ensino mas não sei se você será capaz de aprender!”

A propósito, usando a mesma ótica Freireana, posso responder ao meu outro colega sobre a “genética da facilidade com as tecnologias”: a aprendizagem deve ser um processo prazeroso e, portanto, aprendemos aquilo que nos dá prazer antes das “outras coisas, mais chatas”. Daí a facilidade com o computador. Para quem não acredita na lógica Freireana, leia um pouquinho sobre neurociência da aprendizagem! Elas se complementam brilhantemente, apesar de Freire e a neurociência nunca terem se conhecido de fato.

Este artigo não está terminado mas, seguindo a filosofia SL (publica do jeito que está e depois vai melhorando) e que minha opinião é também resultado das minhas trocas, aqui está! Divirtam-se!

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